Córnea lidera número de transplantes no Paraná. Setembro verde destaca importância da doação

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2025 foram realizados 1.066 transplantes de córnea. Doação pode devolver a visão à milhares de pacientes

A córnea foi o órgão com maior número de transplantes realizados no Paraná em 2025. É o que revelam os dados consolidados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) em maio de 2026, com base no Registro Brasileiro de Transplantes. Em segundo lugar aparece o rim, com 460 transplantes, em terceiro a medula (405 procedimentos), seguidos de fígado (293) e coração (31). No total, foram realizados 2.255 transplantes de órgãos no estado no ano passado. Em 2024, o Paraná havia realizado 1.248 transplantes de córnea, enquanto a Central Estadual de Transplantes registrou 896 órgãos doados, mantendo o Estado entre os principais destaques nacionais na área.

Setembro é  o mês marcado pela campanha Setembro Verde, movimento nacional de conscientização e incentivo à doação de órgãos e tecidos. Entre os procedimentos que dependem diretamente da solidariedade dos doadores está o transplante de córnea, capaz de recuperar a visão de pacientes com doenças ou lesões graves nessa estrutura do olho.

Para o oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná, Dr. Robson Torres, a doação de córneas representa um gesto de solidariedade capaz de transformar a vida de quem aguarda por uma oportunidade de recuperar a visão. “A córnea é uma estrutura fundamental para que possamos enxergar. Quando ela perde sua transparência ou sofre alterações importantes, o transplante pode ser indicado e representar uma verdadeira mudança na vida do paciente. Por isso, falar sobre doação é tão importante. Por trás de cada córnea doada existe um gesto de generosidade que pode devolver autonomia, independência e qualidade de vida a outra pessoa”, afirma o especialista.

O especialista ressalta ainda que o sucesso de um transplante depende de uma rede estruturada, que envolve desde a identificação e captação do tecido até a avaliação, armazenamento e realização do procedimento por equipes especializadas.

“É um processo que exige rigor, segurança e profissionais capacitados em todas as etapas. A evolução das técnicas de transplante de córnea também tem permitido resultados cada vez melhores, mas nada disso seria possível sem a existência do doador e sem a conscientização das famílias sobre a importância desse ato.”

Paraná é destaque na doação

O Paraná vem mantendo uma posição de destaque no cenário nacional. Nos primeiros meses de 2026, foram realizados 328 transplantes de córnea no Estado entre janeiro e abril, segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes. Entretanto, a fila para o transplante de córnea tem aumentado, reforçando a necessidade sobre a conscientização da sociedade sobre a doação.

Além da estrutura, a conscientização da população é fundamental. A legislação brasileira estabelece que a família é responsável por autorizar a doação após a morte, por isso comunicar aos familiares a decisão de ser doador é uma das principais formas de contribuir para que esse desejo possa ser respeitado.

“Muitas pessoas são favoráveis à doação, mas nunca conversaram sobre isso com seus familiares. Esse diálogo é fundamental. Em um momento de dor, a família precisa saber qual era a vontade daquela pessoa. Uma conversa em vida pode fazer a diferença para alguém que está esperando por uma córnea”, orienta Dr. Robson.

Transplante de córnea

O transplante de córnea é indicado em diferentes situações, como doenças que comprometem a transparência da córnea, como a distrofia de Fuchs, ou que alteram sua curvatura, como o ceratocone, além de cicatrizes decorrentes de traumas ou infecções e outras alterações que prejudicam significativamente a visão.

O procedimento consiste na substituição de parte ou de toda a córnea comprometida por tecido saudável proveniente de um doador. A indicação e a técnica utilizada dependem das condições de cada paciente e devem ser avaliadas por um oftalmologista especializado.

“Quando falamos em doação de córneas, estamos falando de pessoas ajudando pessoas. É um gesto que pode atravessar a dor de uma perda e se transformar em esperança para quem espera por um transplante”, finaliza Dr. Robson.

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