Cordialidade entre candidatos de campos políticos distintos chamou atenção e contrastou com o tom adotado contra Sandro Alex durante o debate
O debate promovido pela RPC na noite de terça-feira (29) deixou uma cena política difícil de ignorar: Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), candidatos que ocupam espaços políticos bastante distintos, demonstraram uma cordialidade incomum entre si e, em diferentes momentos, convergiram nas críticas a Sandro Alex (PSD).
O encontro tinha tudo para produzir confrontos entre os três candidatos. Afinal, Moro e Requião Filho estão em campos políticos diferentes e carregam históricos e discursos que, em tese, os colocariam em lados opostos. Na prática, porém, o que chamou atenção de quem acompanhou o debate foi outra dinâmica.
Enquanto Moro e Requião mantiveram um tratamento relativamente cordial, Sandro Alex acabou colocado no centro dos ataques.
A impressão deixada pelo debate foi a de que havia, naquele palco, dois cantos muito bem definidos: de um lado, Sandro Alex; de outro, Moro e Requião, ainda que sem qualquer declaração pública de aliança entre os dois.
É importante fazer uma distinção: não há, até o momento, evidência pública de que Moro e Requião tenham combinado previamente perguntas ou ataques. O que existe é um comportamento observado durante o debate e que chamou atenção de analistas e espectadores.
A cena que chamou atenção
A questão ficou ainda mais evidente em determinados momentos da discussão sobre a Copel. O debate sobre a companhia, suas decisões e o futuro da empresa produziu uma situação em que os discursos de Moro e Requião acabaram encontrando pontos de convergência, enquanto Sandro permaneceu no centro das cobranças.
O contraste foi perceptível: Moro e Requião pareciam muito mais confortáveis dialogando entre si do que confrontando um ao outro.
A dinâmica também apareceu em outros temas. Reportagens sobre o debate registraram que os principais embates ocorreram entre Moro e Sandro, enquanto Requião também direcionou críticas ao candidato do PSD.
A própria cobertura do debate feita por veículos paranaenses identificou Moro e Sandro como protagonistas dos confrontos mais duros da noite.
Uma aproximação que merece ser observada
O episódio ganha relevância porque Moro e Requião representam trajetórias políticas bastante diferentes. Ainda assim, no debate, a distância ideológica pareceu menor do que a disposição de ambos para confrontar Sandro Alex.
Isso naturalmente abre espaço para uma pergunta política: seria apenas uma convergência circunstancial de interesses eleitorais ou existe algum tipo de aproximação mais ampla em construção?
Não há elementos suficientes para responder à pergunta. Qualquer conclusão sobre uma eventual aliança futura seria especulação.
Mas política é também observar movimentos.
E o movimento visto no palco da RPC foi, no mínimo, curioso: Moro e Requião não pareciam interessados em transformar um ao outro no principal adversário da noite. Sandro, sim.
Moro e as mudanças de trajetória
A trajetória recente de Sergio Moro também ajuda a explicar por que qualquer eventual aproximação política futura seria observada com atenção.
Moro chegou à política nacional associado ao discurso de combate à corrupção e, posteriormente, integrou o governo Jair Bolsonaro. Depois rompeu com o ex-presidente e passou a construir sua própria trajetória política.
Outro episódio que permanece registrado na trajetória parlamentar de Moro ocorreu em dezembro de 2023. O Senado aprovou a indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal por 47 votos a 31, com duas abstenções. A documentação oficial do Senado registra a participação de Moro na votação, embora o resultado tenha sido em votação secreta e o registro público consultado não revele individualmente seu voto no plenário.
Portanto, não seria correto afirmar simplesmente que Moro “votou em Dino” com base nesse registro. O fato verificável é que ele após a votação foi até Flávio Dino e lhe parabenizou com um abraço, recheado de sorrisos.

