Palestras sobre tratamento da obesidade e reprodução assistida são destaques do Conciam 2026

Palestras da 40ª edição do Congresso Acadêmico de Medicina da FEMPAR reuniram especialistas para discutir novas abordagens terapêuticas e compartilhar experiências entre gerações de profissionais

 

A evolução da medicina, os avanços tecnológicos e os desafios do cuidado com a saúde estiveram em pauta durante a 40ª edição do Conciam (Congresso Acadêmico de Medicina), promovido pela Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR), entre os dias 19 e 22 de outubro, na Associação Médica do Paraná, em Curitiba. Entre os destaques da programação estiveram as palestras sobre o uso de medicamentos agonistas de GLP-1 (as famosas canetas emagrecedoras) no tratamento da obesidade e a evolução da reprodução assistida, que proporcionaram aos estudantes contato com diferentes perspectivas e experiências da prática médica.

 

Agonistas de GLP-1 e cirurgia bariátrica: tratamentos complementares no combate à obesidade

 

A palestra “Agonistas de GLP-1 versus cirurgia bariátrica: estamos assistindo ao fim da cirurgia metabólica?” promoveu uma discussão sobre o papel dos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e a permanência da cirurgia metabólica como alternativa terapêutica. O debate contou com a participação do Dr. Paulo Nassif, chefe do Serviço de Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM), e da Dra. Mirnaluci Paulino Ribeiro Gama, chefe do Serviço de Endocrinologia do hospital.

 

Para Dr. Paulo, o desenvolvimento de novos medicamentos amplia as possibilidades de tratamento, mas não representa o fim da cirurgia bariátrica, especialmente nos casos de obesidade grave. Segundo ele, os agonistas de GLP-1 são opções potentes e podem atuar em conjunto com a abordagem cirúrgica.

 

“O tratamento da obesidade está evoluindo, e os novos medicamentos são grandes aliados. A cirurgia bariátrica continua sendo uma das alternativas mais eficazes para os casos graves, e a tendência é que estratégias combinadas ganhem cada vez mais espaço”, destaca o médico.

 

Dra. Mirnaluci reforçou que a obesidade é uma doença complexa, que exige avaliação individualizada e acompanhamento multidisciplinar. Para ela, tanto os medicamentos, como semaglutida e tirzepatida, quanto a cirurgia metabólica devem ser considerados de acordo com as características e as necessidades de cada paciente.

 

A endocrinologista também chamou a atenção para a importância da continuidade do tratamento. Após a cirurgia bariátrica, por exemplo, é necessário manter o acompanhamento médico e a reposição de nutrientes quando indicada. Já no tratamento medicamentoso, o custo elevado pode dificultar a permanência de alguns pacientes na terapia.

 

“Não se trata de uma corrida pela beleza, mas pela saúde. A obesidade exige responsabilidade, acompanhamento e uma abordagem multidisciplinar, porque suas complicações podem comprometer órgãos como o coração, o fígado e os rins”, ressalta a médica.

 

Os especialistas destacaram, assim, que a escolha da estratégia terapêutica deve considerar a gravidade da doença, as condições clínicas e sociais do paciente e a possibilidade de manter o tratamento a longo prazo. A discussão evidenciou a importância da integração entre diferentes especialidades para oferecer um cuidado seguro e adequado.

 

Reprodução assistida: conhecimento e experiência compartilhados entre gerações

 

A palestra “Reprodução assistida entre gerações: tradição médica na fertilização in vitro” abordou a evolução das técnicas de reprodução humana assistida e as transformações tecnológicas que marcaram a especialidade nas últimas décadas. O encontro reuniu os ginecologistas Dr. Francisco Furtado Filho e Dr. Rodrigo Furtado, pai e filho, que compartilharam experiências profissionais e familiares ligadas à medicina reprodutiva.

 

Para o Dr. Francisco Furtado Filho, a participação no Conciam teve um significado especial por permitir a apresentação conjunta com o filho, formado pela FEMPAR em 2021. O médico destacou a oportunidade de compartilhar com os estudantes a trajetória da reprodução assistida, desde o nascimento do primeiro bebê por fertilização in vitro, em 1978, na Inglaterra, até o desenvolvimento das técnicas utilizadas atualmente.

 

“Compartilhar conhecimento e acompanhar a evolução da reprodução humana ao lado do meu filho, que também escolheu a medicina, é algo único. Poder dividir essa experiência em um evento que celebra 40 anos de história, diante de tantos estudantes, torna esse momento ainda mais especial”, afirma.

 

O médico também ressaltou a tradição familiar na ginecologia, profissão seguida por seu pai, seu irmão e, agora, por seu filho. A trajetória de diferentes gerações foi um dos elementos que deram à palestra um caráter pessoal, aproximando a história da especialidade da experiência de quem vivenciou suas transformações.

 

Dr. Rodrigo Furtado, por sua vez, destacou que acompanhar a evolução da reprodução assistida desde a infância contribuiu para sua formação e para a compreensão das mudanças que marcaram a área. Segundo ele, a preparação da palestra também permitiu revisitar a história da especialidade e observar como determinadas tendências médicas se transformam ao longo do tempo.

 

“Foi muito interessante olhar retrospectivamente para essa evolução. Hoje, atuando ao lado do meu pai, consigo perceber o quanto a tecnologia e a precisão dos procedimentos avançaram em pouco tempo. Estar aqui com ele é um prazer enorme e representa a continuidade de uma tradição familiar na medicina”, destaca.

 

O médico também compartilhou seus próximos passos profissionais. Após validar o diploma na Espanha, ele se prepara para atuar por dois anos no Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), em Valência, onde pretende aprofundar seus conhecimentos em reprodução assistida e ampliar sua experiência internacional.

 

A expectativa, segundo Rodrigo, é que essa vivência contribua para seu desenvolvimento profissional e permita trazer novos conhecimentos ao Brasil, colaborando com o avanço da medicina reprodutiva no país.

 

Formação médica conectada aos desafios da profissão

 

As duas palestras demonstraram a diversidade de temas que integram a formação médica contemporânea, da incorporação de novas terapias à evolução das tecnologias reprodutivas. Ao reunir profissionais experientes e estudantes, o Conciam proporcionou um espaço de troca de conhecimentos, reflexão e aproximação entre a formação acadêmica e a prática clínica.

 

Realizado há quatro décadas pela FEMPAR, o congresso reafirma seu papel na atualização científica e no estímulo ao pensamento crítico dos futuros médicos, valorizando tanto os avanços da medicina quanto a experiência dos profissionais que contribuem diariamente para o desenvolvimento da área da saúde.

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