Ratinho Júnior decidiu parar de assistir.
Depois de semanas vendo o tabuleiro se mexer sem comando claro, o governador entendeu que o risco já não era mais externo — era interno. E quando o risco começa dentro de casa, ou você escolhe, ou alguém escolhe por você.
Dois movimentos aceleraram essa virada.
O primeiro foi Sérgio Moro deixando de flertar com a ideia de candidatura e começando a estruturar um projeto real. Ao avançar sobre o setor produtivo e buscar conexão com o chamado Sistema S, com a sinalização de Édson Vasconcelos como vice, Moro saiu do campo da especulação e entrou no campo da disputa. Parou de ser hipótese e virou problema.
O segundo movimento veio de onde talvez mais incomodasse: Rafael Greca. Ao se aproximar do MDB, Greca não apenas testou uma alternativa — ele sinalizou que não estava mais disposto a jogar sob o guarda-chuva de Ratinho. Em política, isso tem nome. E não é reposicionamento.
Com esse cenário, o governador fez o que vinha evitando: fechou questão. Deu o beijo da morte em Guto.
O nome é Alexandre Curi. E agora não como possibilidade, mas como decisão.
Curi não é um candidato de ocasião. Tem base, tem relação com prefeitos, conhece a engrenagem e, principalmente, não precisa se apresentar no interior. É o tipo de nome que não depende de narrativa — depende de articulação. E isso, no Paraná, ainda decide eleição.
Mas só isso não bastava.
Porque eleição no estado não se ganha apenas com política. Se ganha com política e com produção. E é aí que entra o movimento mais relevante dessa construção: Norberto Ortigara.
Discreto, técnico, sem perfil de palco — e exatamente por isso respeitado onde realmente importa. Ortigara não agrega só o voto de opinião, agrega estrutura silenciosa. É um nome que dialoga diretamente com o cooperativismo e com o sistema organizado do interior, especialmente o entorno do setor produtivo, que, goste-se ou não, é uma das engrenagens mais consistentes de influência no Paraná.
A composição, portanto, não é estética. É funcional.
Curi resolve a política.
Ortigara ancora a economia real.
E isso responde diretamente ao avanço de Moro.
Porque Moro pode até crescer no discurso, mas ainda não demonstrou capacidade de construir base capilarizada. E eleição estadual não se ganha só com opinião pública — se ganha com rede, com presença, com estrutura que gira independente de holofote.
Ao montar essa chapa, Ratinho manda um recado simples: aqui tem grupo. E Coeso
E mais do que isso, tenta evitar o que mais teme — a fragmentação interna. Porque o maior risco para o governo nunca foi Moro. Sempre foi a divisão da própria base.
Nesse contexto, o movimento de Greca acaba tendo um efeito colateral curioso. Ao sair do eixo, ele reduz o espaço de dúvida. E, em política, às vezes é a dúvida que implode projetos. Sem Greca no jogo interno, a consolidação de Curi fica menos conflituosa e mais objetiva.
Nos bastidores, o que se ouve já não é mais “se” vai acontecer, mas “quando” será anunciado.
E o timing, nesse caso, importa menos do que a mensagem.
Ratinho entendeu que não dava mais para equilibrar todos. Escolheu um caminho, assumiu o risco e montou uma chapa que, goste-se ou não, é difícil de ser ignorada.
No fim, o movimento não é sobre 2026 apenas.
É sobre manter o controle depois de 2026.

