Maranhão leva Moro para as ruas de Paranaguá, mas visita expõe fragilidade política no Litoral
Ex-coordenador do Litoral no governo Ratinho Junior, agora aliado de Sérgio Moro, foi o principal articulador da agenda que teve baixa adesão e cenas que chamaram atenção nas redes sociais
A passagem de Sérgio Moro por Paranaguá, nesta semana, deveria representar uma demonstração de força da candidatura do senador ao Governo do Paraná no Litoral. O resultado, porém, acabou produzindo uma imagem bem diferente: uma caminhada com pouca participação popular e uma estrutura política que, pelas próprias imagens divulgadas pela campanha, mostrou dificuldade para mobilizar moradores.
No centro da cena estava Arnaldo Maranhão, candidato a deputado estadual pelo PL e principal liderança local responsável pela recepção de Moro. Ex-coordenador regional do Litoral durante o governo Ratinho Junior, Maranhão decidiu agora apostar suas fichas na candidatura de Moro.
A estratégia, entretanto, não parece ter funcionado como esperado.
As fotografias oficiais da própria campanha mostram Moro e Maranhão caminhando pelas ruas do Centro Histórico de Paranaguá acompanhados por um grupo reduzido de apoiadores. Em determinado momento, Moro e parte da comitiva foram colocados sobre um jipe, numa tentativa de dar maior visibilidade à caminhada.
O problema é que o jipe não foi acompanhado por uma multidão.
Nas imagens, é possível observar comerciantes, pedestres e pessoas circulando normalmente pelas calçadas enquanto a comitiva passa. Em vários trechos, a presença dos candidatos parece despertar pouca atenção de quem estava nas ruas.
A cena acaba produzindo um contraste incômodo para uma campanha que pretende apresentar força política no Litoral: o candidato ao Governo do Estado sobre um veículo, bandeiras ao redor e, ao lado, uma rua que continua funcionando normalmente, sem uma mobilização popular expressiva.
Moro estava em Paranaguá, mas Paranaguá não parecia estar com Moro
É importante fazer uma distinção: a agenda não significa necessariamente que Moro não tenha eleitores ou apoiadores em Paranaguá. Uma caminhada de rua, isoladamente, não mede intenção de voto.
Mas, do ponto de vista de comunicação política e demonstração de força, as imagens são ruins.
A fotografia de um candidato percorrendo uma área comercial acompanhado por poucas pessoas pode transmitir exatamente o contrário da mensagem pretendida por uma campanha: em vez de força, transmite isolamento; em vez de mobilização, rotina; em vez de entusiasmo, indiferença.
E isso se torna ainda mais relevante porque a visita ocorreu justamente em uma região que Maranhão conhece profundamente e onde sua trajetória política foi construída.
Maranhão vira personagem central de um erro de estratégia
A questão que fica para a campanha de Moro é simples: quem foi responsável por organizar a demonstração de força no Litoral?
Maranhão, por sua experiência política na região, deveria ser justamente o nome capaz de transformar a passagem de Moro por Paranaguá em um ato expressivo.
O que as imagens entregam, entretanto, é outra narrativa.
A escolha de fazer uma caminhada ostensiva, com bandeiras, comitiva e até a utilização de um jipe, aumentou a expectativa visual sobre o tamanho da mobilização. Quando a multidão não aparece, o efeito pode ser o inverso do desejado.
É o velho problema da política: uma pequena reunião pode parecer cheia; uma caminhada na rua, não.
Ao colocar Moro no alto de um veículo, a campanha criou uma espécie de “palco móvel”. Só que, sem uma quantidade significativa de pessoas acompanhando, o palco acabou destacando justamente o vazio ao redor.
Para Maranhão, o episódio representa um desafio ainda maior. Afinal, se sua função era apresentar ao candidato ao Governo do Estado a força política que possui no Litoral, as imagens não ajudam a sustentar essa tese.
A visita de Moro a Paranaguá não foi necessariamente um fracasso eleitoral — mas foi, certamente, um problema de comunicação política. E Maranhão, como principal anfitrião e articulador local, acabou ficando no centro desse fiasco de imagem.
A política, especialmente em ano eleitoral, também é feita de fotografias. E, desta vez, as próprias fotografias da campanha dizem muito mais do que qualquer discurso de palanque.


