Erro de campanha transforma Moro em cabo eleitoral involuntário de Sandro Alex

Uma falha difícil de explicar marcou a largada da campanha de Sérgio Moro ao Governo do Paraná. Em sua própria propaganda, o senador defendeu a continuidade dos pontos positivos da administração de Ratinho Junior.

O trecho caiu como um presente no colo do grupo governista.

Ratinho Junior está no segundo mandato e não concorre novamente ao Palácio Iguaçu. Seu candidato à sucessão é Sandro Alex, que pretende justamente convencer o eleitor de que os avanços da atual gestão devem continuar.

Ao elogiar o governo e falar em continuidade, Moro acabou reforçando o principal argumento do adversário. A equipe de Ratinho percebeu a oportunidade, reaproveitou a declaração e transformou o senador em garoto-propaganda involuntário do projeto que pretende derrotar.

Foi uma falha elementar de comunicação. Antes de divulgar uma peça, qualquer campanha precisa perguntar como aquele conteúdo poderá ser explorado pelo outro lado. A equipe de Moro aparentemente não fez esse teste — ou subestimou a capacidade de reação dos adversários.

A contradição ficou evidente: se a gestão de Ratinho é boa e merece continuidade, por que trocar o grupo que governa o Paraná?

Sandro Alex dificilmente receberia um argumento mais conveniente. Sem gravar uma palavra, ganhou o reconhecimento público de um concorrente à administração da qual pretende ser o sucessor.

No futebol, Moro levantou a bola na pequena área. Ratinho Junior apenas agradeceu e deixou o passe pronto para Sandro Alex marcar.

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